Este era um jogo muito complicado para os De Merda, que se viam desfalcados da sua referência atacante (pivot Nuno Medeiros) e do seu guarda-redes Hugo Raposo. Também Ya estava indisponível para este jogo, pelo que os De Merda tiveram que se socorrer de Edgar para a baliza.
Mas a verdade é que o jogo se teve mesmo que realizar, apesar da ausência de Nuno e Fox, ambos em viagem pela Europa Central, mais concretamente, no dia do jogo, por Praga (Répública Checa).
Não poderei comentar os instantes iniciais da partida, visto que cheguei atrasado ao Arena, em virtude de um almoço de família a que não podia mesmo faltar (e ainda tive que sair mais cedo, contrariando as vozes familiares...).
Quando cheguei, o resultado estava em 1-0 para nós, por intermédio de Petiz.
Estava eu na linha lateral, a aquecer rapidamente, quando vi o 2-0, num grande golo de Diogo Almeida. Bola lançada para a frente e o Diogo, num toque de classe, pica a bola por cima do guardião adversário, fazendo a bola entrar devagarinho na baliza. Um golo pleno de classe.
Daí até ao final da primeira parte, jogamos muito concentrados, sempre a defender os quatro jogadores de campo atrás da linha da bola, não deixando o México alvejar a nossa balzia, nem sequer armar o remate.
Quase no fim da 1ª parte acontece, quanto a mim, um dos lances que começou a "apimentar o jogo", quando o Rodrigo, entrado de fresco e após perder uma bola a meio-campo, faz uma falta por trás sobre um adversário. Quando pede desculpa e lhe estica a mão para cumprimentar... o "mexicano" não retribui.
Na intervalo os De Merda juntaram-se e prepararam-se para sofrer.
O México é aquela típica equipa forte fisicamente, média de idades de 35 anos, gajos muito duros a jogar, que hentram de carrinho frequentemente, jogam muito com o ombro e que sabem trocar a bola. Eram lento nas transições defesa-ataque, mas trocavam a bola muitíssimo bem e tinham dois atletas de elevado nível.
Mas os De Merda estavam preparados para sofrer, como disse. E gostei de ver a equipa neste capítulo, pois só se fazem campeões quando se sabe sofrer. E temos que ter a humildade, por vezes, de baixar as linhas, recuar no campo e fecharmo-nos em torno da nossa baliza. Isso é muito IMPORTANTE. Temos de interiorizar que em certos jogos vai haver momentos em que vamos estar na mó de baixo e vamos ter que aceitar o controlo de jogo por parte do adversário. Isso chama-se "experiência" e "maturidade". E só assim podemos continuar a ganhar jogos como até aqui.
Voltando ao jogo mais propriamente dito, o México foi carregando, carregando, mas nós nunca abdicamos do contra-ataque, sempre de forma bastante directa, mas ponde sempre em sobressalto os mexicanos. Diga-se, em abono da verdade, que o México não teve grandes oportunidades de golo... raramente conseguiram rematar sozinhos, nunca estiveram em superioridade numérica e, a não ser no único golo que apontaram, nunca ninguém se esqueceu de nenhuma marcação.
Quando os mexicanos fizeram o golo, aconteceu o mesmo que no Espanha - Uruguai, mas desta vez ao contrário. Isto é, desta vez não fomos nós a sofrer golos após marcarmos, mas sim a marcarmos após sofrermos. E esses momentos do jogo são importantíssimos. O México reduziu para 2-1 e, galvanizados vieram para cima... e nós, com muita classe, frieza e vontade, apercebemo-nos disso e aumentamos a contagem para 3-1, num lance em que o Zé mete a bola para o Rodrigo, que controla no peito, dá um toque para cima e ganha no ar ao seu marcador directo... a bola sobra para uma confusão, Petiz ganha a bola, finta o guarda-redes e atira para a baliza. 3-1 e a vitória parecida uma questão de minutos.
Depois veio a falta de fair-play e de saber perder.
Refira-se que esta foi a primeira derrota do México, visto que tinham ganho um jogo e ampatado com o Uruguai a 3 bolas. O México é de facto uma boa equipa e só uma equipa combativa e com raça como a Espanha é capaz de levar de vencida esta equipa.
O México passou a atacar com tudo, não se coibindo de carrinhos maldosos e entradas fora de tempo, que deixaram mazelas nos jogadores da Espanha. O único árbitro foi insuficiente para segurar o jogo, nem teve coragem para marcar todos os carrinhos que os mexicanos insistiam em fazer, pondo em perigo as pernas dos De Merda.
Incrível como o árbitro não foi capaz de descortinar certos carrinhos quando o México já estava de cabeça perdida.
Até o seu capitão atirou uma bola de propósito para fora, afirmando que "os jogadores deles não sabem as regras, não marcam o lançamento com a bola na linha". Enfim! Desculpas de mau perdedor, claramente.
Os De Merda/Espanha foram claramente superiores e claramamente mais inteligentes do que o México. E isso nada teve a ver com os lançamentos, mas sim com uma defesa implacávele e um contra-ataque mortífero.
Mas mais uma vez fica a ideia de que estes árbitros dificilmente terão mão nos jogos disputados e renhidos que se avizinham à medida que a competição avança.
Os De Merda estão de parabéns. Souberam sofrer como os grandes campeões. Assim sim, temos equipa!
Um conselho apenas que queria deixar, pois apesar de mais uma vitória, temos ainda muito a melhorar: não devemos ter vergonha ao assumir durante o jogo que um adversário é mais forte fisicamente que nós. Quando um jogador mais forte se encosta/cola a nós e se vemos que não temos físico para ele, a solução não é esforçarmo-nos muito e cair em cima dele feito animais, pois ele vai acabar po conseguir virar-se e vamos ficar em inferioridade numérica. A solução aí é ou jogar em antecipação ou deixá-lo receber a bola, virar-se devagar (normalmente estes jogadores são mais lentos...) e depois controlarmos o lance perto dele, dando-lhe um espaço razoável (mas não muito para que ele não possa rematar) e ir controlando o lance, dando-lhe a iniciativa para, quando ele arriscar a finta ou jogada individual possamos meter o pé e cortar a bola no momento decisivo. Fica o registo!
APRECIAÇÃO INDIVIDUAL
Edgar - o "substituto" de Fox esteve muito bem na baliza. Muito concentrado, soube impôr o seu físico para fechar o ângulo aos adversários, msotrando que tem presença na baliza. Não fez defesas do outro mundo (por culpa da nossa defesa), mas esteve sempre muito seguro. No golo não tem culpa nenhuma.
Mourinho - frente ao Uruguai mostrou toda a sua energia e imaginação, sendo o dínamo da equipa. No Domingo mostrou outra faceta: vestiu o fato-macaco conforme o jogo exigia e foi um autêntico escravo, batalhando sempre inteligentemente, usando o corpo quando foi preciso e protegendo posicionalmente quando isso era aconselhável. A qualidade de passe manteve-se inalterável, ou seja, muito boa. Em grande mesmo!
Diogo - marcou um golo daqueles de levantar o estádio, picando a bola já em esforço sobre o guarda-redes. Vestiu, como é hábito, o fato-macaco e não permitiu veleidades aos jogadores contrários, defendendo forte e de forma incisiva. Fisicamente esteve impecável e subiu e desceu sempre em grande ritmo, aliando a isso bastante rapidez na forma de limpar os lances. Insuperável a defender homem a homem.
Petiz - foi eleito o melhor em campo e quanto a mim com razão. Foi o mais esclarecido em campo, não se furtando aos combate ombro a ombro e jogando com a confiança e segurança necessárias para sair a jogar tirando do caminho o adversário que o marcava lá atrás. Lançou bem os ataques e foi precioso ao marcar o primeiro e último golos. Aspecto negativo apenas para a forma como deixou passar o adversário no golo do México, pois ele era mais forte fisicamente e, por isso, Petiz devia ter dado espaço. Mas não belisca em nada o seu jogo. Grande exibição!
Rodrigo - defensivamente terá feito a melhor exibição com a camisola dos De Merda. Exemplo disso foi um corte à última hora (bastante aplaudido pelo capitão Zé Manel) quando um mexicano em zona frontal ia rematar à baliza. Jogou a pivot ou a fixo, conforme o posicionamento da equipa em campo. A pivot foi importante no lance do terceiro golo e na forma como segurou as bolas no peito ou no pé, enviadas de forma directa (só assim se conseguiu jogar na 2ª parte devido à pressão dos mexicanos) por Edgar é Zé Manel. Só a espaços conseguiu libertar-se e ter mais tempo a bola no pé, sendo muito castigado com carrinhos e faltas feias.
Zé Manel - uma grande exibição, com muito esforço e muita garra, capitaneando a equipa com grande classe e gande espírito. A sua voz ouviu-se sempre e serviu para "arrumar" a equipa no sítio certo. A defender esteve muito bem, antecipando-se e ganhando as bolas ou protegendo a zona frontal. Combinou bem com Rodrigo, metendo-lhe bem as bolas para a zona de pivot. Soube jogar mal e feio quando foi preciso. Actuação fundamental, quer a pivot (quando trocou com Rodrigo), quer a fixo, onde soube ler o jogo e dar instruções de forma perfeita. O único aspecto negativo foi o penalty que cometeu sobre o pivot mexicano, apesar do árbitro ter marcado falta fora de área, o que acabou por não prejudicar a equipa. Exibição enorme.
Jogaram e marcaram pelos De Merda: Edgar, Zé Manel, Mourinho, Diogo (1), Petiz (2) e Rodrigo.
Rodrigo 10
9 comentários:
Acho que a crítica é perfeitamente fiel ao jogo. A reter: garra non-stop, concentração, mto suor e a sorte (aqui ocupa uma parte secundária pois esta vitória saiu-nos mesmo do pêlo) que não tivemos contra os esbungas ao marcar-mos o 3o golo no timing certo. Defender durante 5 minutos com uma vantagem de 2 golos é bem mais entusiasmante e propulsor do que se esse 3o golo não tivesse existido.
Queria só destacar a mudança de atitude do México após o intervalo. Há que encontrar as diferenças para a 1a parte e penso que neste caso há uma diferença muito clara. Para além de uma maior pressão homem-a-homem, eu senti claramente que quiseram anular o nosso esquema habitual de sair a jogar com bola no pé do fixo. Avisei de imediato o petiz mal me vi confrontado com esta alteração na táctica deles. Quando o Edgar pegava na bola tinha de imediato o pivot - carismático aka ressabiado - deles a chegar-se, impedindo-me de sair com a bola.
Demorou um pouco até perceber-mos isso, e adoptamos a partir daí um estilo de jogo mais directo, com a bola a partir do Edgar (bons passes com a mão, demonstra a técnica de quem já tem quem lhe ensine a defender no futsal).
Esta foi a nossa solução improvisada, mas penso que após saborearmos esta vitória tão digna e esforçada devemos pensar numa alternativa/mudança táctica para esta situaçao de pressão imediata no fixo da equipa adversária. Uma troca, um "bloqueio", o que seja.. Digo isto porque dependemos muito disso na construção do jogo, e tenho a certeza absoluta que vamos ser confrontados com esta situação mais vezes ao longo do torneio. Principalmente quando começar a ecoar "Espanha" nos balneários das todas-poderosas Argentina, Holanda e outras selecções que tais!
Siga a rusga!! VALE!
Quando o fixo estiver pressionado o fixo deve tocar para os alas, que se põem ao seu nível na zona do campo e o fixo sobe pelo meio, criando a confusão no esquem adversário.
Isto envolve que os alas estejam atentos, desçam ao longo da linha e venham receber a bola (colados à linnha o mais possível). O fixo subirá pelo meio e ocupará a posição de pivot, enquanto que o pivot fugirá do meio para umas das linhas, isto é, para a linha que o jogador que detém a bola estiver.
Não sei se em fiz entender, mas imaginemos que o Zé recebe a bola e os alas (Diogo e Petiz) descem para se porem na sua linha imaginária. Um ala (imaginemos o Diogo)recebe a bola junto da linha esquerda, enquanto queo Zé sobe pelo meio, indo para fixo. Aí o Nuno (pivot) desloca-se de forma lateral para a linha lateral esquerda.
Aí o Diogo terá três opções de passe:
A) passe lateral para o ala Petiz, que está colado à linha direita ou, caso Diogo esteja "atrapalhado", vem-se deslocando para ficar mais próximo de Diogo, quase numa posição de fixo;
B) passe ao longo da linha lateral, ou seja, em frente, para o Nuno, que saiu da posição de pivot para ir ocupar uma posição mais de ala;
C) passe para o Zé Manel, que era fixo e passou para a posição de pivot.
Digam se entenderam.
Hug,
Rodrigo
Concordo completamente com a crónica do jogo. Foi exactamente assim que decorreu o jogo!
Quanto à apreciação individual só tenho um reparo a fazer é que se houve fatos de macaco vestidos esses foram vestidos por todos os elementos da equipa e a ser atribuido a apenas dois esses deviam ser o ENORME petiz e o diogo que esteve irrepreensivel.
Quanto à melhor maneira de atacar estas equipas que usam o sistema da segunda parte, entendo o que tu disseste e concordo de certa maneira.
Mas acho tambem que existe outra maneira de a atacar. Acho que deviamos alargar o campo na horizontal e aí concordando contigo os alas devem estar o mais chegados à linha possivel, mas acho que deviamos encurtar espaços verticalmente, ou seja, jogarmos mais perto uns dos outros... E em vez da troca ser feita entre fixos podemos tambem fazer uma espécie de carrosel em que toda a equipa roda no mesmo sentido.
Outra boa maneira de fugir a isto, desorientando o sistema da equipa adversária, seria o fixo meter a bola num dos alas e depois fugir por trás dele pela linha lateral enquanto o ala se vai deslocando para o meio ocupando a posição de fixo podendo efectuar o passe para o outro ala e este depois fazia o mesmo movimento deslocando-se para o meio e o fixo (que antes era ala) voltava a passar por trás e podiamos andar neste movimento até encontrar linha de passe para o pivô que depois teria, de certo, linhas abertas para uns dos alas...
Que acham?
Acho que és um perfeito idiota.
Obrigado!
Não querendo caír na retribuição de elogios, que pode parecer hipocrita, mas caíndo, acho que tambem tiveste muito bem com a tua ideia de atacar este tipo de adversários.
Não fosses tu um idiota de primeira linha!
;)
Um toque de Jô Soares..
Sim Sr., bravo Mouri!
Dois belos especimens de idiotões, é o q é!
Agora, mais a sério, percebido.
Temos que treinar mesmo circulação de bola.
Mas isso só vem com jogos.
Vamos a ver o que dizem o Nuno e o Fox (esses east guys) disto!
Um abraço,
Rodrigo
venho aqui deixar o meu testemunho já um pouco tarde, mas paciência.. fizemos um grande jogo, não muito bonito mas paciência.. tivemos sempre muito sólidos a defender e muito "ratos" no contra-ataque.Foi pena a equipa "mexicana" demonstrar todo aquele mau perder durante e no final de jogo, mas adiante. Temos a 2ª melhor defesa da prova (5 golos sofridos) penso que é um registo muito bom.Agora na 2ª fase, já com toda a equipa em peso, vamos mostrar mais uma vez do que é que esta Espanha é capaz..VENGA MERDA!
Fico muito contente em ler tudo isto, caros colegas. :x
A notícia foi recebida em terras de leste com grande entusiasmo e posso desde já dizer que foram bebidas várias cervejas e abordadas muitas caras bonitas em forma de festejo por esta vitória por parte de NunÁndré e Fox.
Obviamente que NunÁndré e Fox não andaram a dormir e fizeram questão de espalhar o bom nome dos De Merda pela República Checa e pelas terras Polacas, apostando nomeadamente num nicho do mercado até então muito esquecido (o sector feminino, portanto). Assim aviso desde já a 1ª das várias medidas a serem tomadas daqui para a frente: os jogos dos De Merda serão todos realizados na Cracóvia. Todas as sextas os jogadores da equipa deverão apanhar um avião fretado para viajar para as terras polacas e deverão entrar em estágio imediatamente a partir de sexta à noite. Posso garantir que, pela qualidade das gaj...ups... da fauna local e da hospitalidade polaca, vamos subir o nosso rendimento se passarmos a fazer isso. Os resultados serão imediatos.
lol, ok, agora mais a sério, parabéns pessoal. :)
Já agora, no site do futsal arena o resultado tá como 3-2 e não 3-1. É melhor pedirmos para corrigir isso...
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