Os espanhóis bateram a Alemanha por duas bolas a uma, num jogo repleto de emoção, raça e força de vontade de ambas as equipas.
A 1ª parte pertenceu aos alemães, fruto de uma melhor circulação de bola (a melhor equipa que defrontamos no que toca a este capítulo do jogo) e de uma atitude mais aguerrida. Os alemãs jogavam com mais genica e com mais vivacidade. É certo que não tiveram grandes oportunidades de alvejar a baliza do Hugo, mas tiveram mais posse de bola e fizeram o chamado carrossel, não tendo a Espanha conseguido anular essas investidas, tão surpresa estava com a qualidade do futebol apresentado pela Alemanha. A Espanha limitou-se a defender no seu meio-campo e a "ver jogar" a Alemanha, que fazia trocas posicionais dignas de uma equipa federada (dois deles seriam federados, pelos comentários que se ouviram).
Este nosso adversário possuía um cinco-base de grande nível, onde se destacavam dois jogadores (o da tatuagem no braço e o que equipava de calções negros do Benfica). Nessa 1ª parte ficaram na retina uma cueca ao Rodrigo e uma cabritada ao Zé Manel, o que demonstra bem a categoria e valia técnicas destes jogadores. Por isso,
foi com naturalidade que se chegou ao intervalo com o resultado fixado em 0-1 a favor da Alemanha, pese embora duas boas oportunidades falhadas pelos De Merda: uma por Rodrigo e outra por Nuno.
No intervalo,
a Espanha serenou e exigiu-se mais concentração e atitude a todos os jogadores. Não podíamos jogar com medo e na expectativa, tínhamos de ir para cima deles com tudo. Não adiantava ficar especados a vê-los fazer as trocas... havia que pressioná-los logo à saída da grande área e forçá-los a errar no passe. O ritmo apresentado pelos alemãs durante toda a 1ª parte dificilmente conseguiria ser posto em prática durante todo o 2º tempo, pelo que tínhamos que acreditar que eles iam quebrar.
E assim foi! A Alemanha viu-se surpreendida com a nossa pressão e começou a ter que jogar feio e mal, chutando bolas para fora e para a frente, sem qualquer sentido.
Até que surge o nosso golo. Lançamento para os De Merda, que metam a bola directamente em Nuno. Nuno levanta a bola, de costas para a baliza e tenta um remate em pontapé de bicicleta, sem sucesso. Os jogadores adversários reclamam pé em riste, mas o jogo segue. A bola fica a saltitar na área, Rodrigo domina de pé direito, levanta para o pé esquerdo e desfere um remate forte e colocado ao ângulo da baliza alemã, sem quaisquer hipóteses para o Oliver Khan de serviço. Era o empate... e a Espanha mostrava-se galvanizada e mais atrevida.Depois... mais do mesmo. Alemanha a trocar bem a bola, mas os De Merda não desarmavam a acertavam as marcações, defendendo com muito tino e consistência. E os contra-ataques iam-se sucedendo. Cheirava bem... cheirava a De Merda... cheirava a golo dos De Merda!
E esse golo aconteceu... boa recuperação de bola por parte de Diogo... Diogo conduz o ataque de forma inteligente e, frente ao guardião alemão, entrega a Nuno que, ao 2º poste e em esforço, efectua um carrinho e introduz a bola, lentamente, na baliza da maior potência futebolística europeia. Era o 2-1 para os De Merda/Espanha, que festejaram efusivamente o golo, cientes de que, com esta garra, atitude e bom jogo defensivo, dificilmente veriam a vitória espacar-se-lhes.Daí até ao final, aconteceu aquilo que já tinha acontecido com o México.
Quando os adversários estão a ganhar, está tudo bem, somos todos amigos. Quando começam a perder... o caso muda de figura. A Alemanha não estava preparada para a boa forma física da Espanha e não lidou bem com as suas marcações duras, aguerridas e apertadas. Começaram as queixas, as lamúrias, os protestos contra o árbitro de serviço... até que surge um livre de 9 metros para a Alemanha, castigando o recurso à 6ª falta por parte da Espanha. A Alemanha bate o livre, Fox defende o estouro e larga um pouco a bola, mas logo a apanha de seguida... os alemãs, que vinham a correr para a recarga, foram incapazes de saltar e evitar o choque, atirando-se de joelhos e canelas contra a cabeça do nosso guardião, que já tinha a bola controlada e em seu poder.
Momento triste no Arena. Não se ouviram pedidos de desculpas, o nosso guardião Hugo estava em más condições físicas, magoado numa mão e no pescoço, tendo-se chegado a chamar a ambulância, devido ao estado do Hugo, que se mostrava bastante queixoso. A
Alemanha em vez de reconhecer o erro e de ter vergonha pela sua atitude e mau-perder... continuou com os insultos e com a atitude de confrontação e ameaças (note-se que a Espanha foi insultada com o bonito e já conhecido "vai-te foder" cerca de três vezes), tudo isto com a conivência do árbitro de serviço e da organização.
Julgo ser muito grave que um atleta ameace outro dizendo "dou-te uma chapada" (como o de calções negros fez ao Nuno após uma falta), o árbitro ouça, seja chamado à atenção por causa disso e opte por não fazer nada. Já aqui chamei a atenção para a falta de "nervo" e de "coragem" dos árbitros e da organização. Casos como estes não podem passar em claro... ainda para mais quando se prevê que muitas destas equipas passem à próxima fase. E aí vai ser a doer... e duvido muito que a boa educação apareça assim de repente.
Pede-se maior rigor aos árbitros e à organização, pois há dinheiro envolvido nesta competição e, sinceramente, não estamos a ver as equipas bem-educadas e apenas preocupadas em jogar futebol a serem protegidas.Resumindo e concluindo: os carrosséis, as cuecas e as cabritadas não dão vitórias. Eles podem ser bons nesses gestos técnicos, mas no futebol, que eu saiba, a única coisa que continua a contar são os golos marcados. E nesse particular a Espanha marcou duas vezes, contra apenas uma da Alemanha. O futebol faz-se de bom jogo defensivo e bom jogo ofensivo. A Espanha tem a questão defensiva aprimorada, sendo umas das melhores da competição. E tem um contra-ataque venenoso e letal, bastante rápido e fruto das boas recuperações de bola (momento defensivo) que faz em terrenos adiantados. A transição defesa-ataque, tão falada pelo Mestre Jesualdo Ferreira no seu FC Porto, encontra eco nestes De Merda. Sempre ouvi dizer que uma equipa se constrói de trás para a frente... e é isso que os De Merda estão a fazer. O carrossel pode esperar!
Nota final para o facto de terem estado presentes todos os De Merda, não tendo havido nenhum problema para fazer as substituições. Grande espírito que se vive no seio da equipa. Assim se fazem os campeões!
Jogaram e marcaram pelos De Merda: Hugo, Zé Manel, Diogo, Ya, Mourinho, Petiz, Rodrigo (1) e Nuno (1).
Rodrigo 10