Dia 27 de Julho, por volta das 9h, um homem saía de casa após uma hora de sono. O seu destino: ir à repartição das Finanças comprar o selo do imposto automóvel, sob pena de realizar uma viagem em direcção ao Sul do seu país em condições totalmente ilegais.
Só depois disso, esse homem - que nessa altura dava pelo nome de Rodrigo de Almada Martins - trataria de empreender a grande viagem que faria começar verdadeiramente o Verão 2009: a semana quase grátis de férias no Choro-Mar Apartamentos, em Albufeira, ganha através da vitória dos De Merda FC no Torneio de Futsal Campeonato do Mundo do ArenaFutsal.
E para empreender essa viagem era necessário ir a casa dos outros De Merda. Depois da tal compra do selo, o próximo destino seria a casa do Fox. E ele lá aparece, no seu estilo inconfundível, com uma pequena mala e com... um guarda-sol. Guarda-sol para férias de homens que vão para o Algarve apenas para apanhar sol e beber álcool? Ou será que há alguém neste grupo que goste de sombra? Enfim...
Depois fomos buscar Diogo Almeida e, por fim, José Manuel Amorim.
Problema nº1: Rodrigo levava duas pranchas no seu Honda HRV. Como emparelhar dentro da pequena mala do Turtle-Jah-Car as malas de todos, o guarda-sol do Fox, as lancheiras do Zé Manel, os pacotes de bolachas do Zé Manel, os pãezinhos feitos pela mãe do Zé Manel, os folhadinhos do Zé Manel, etc e tal do Zé Manel ?!?!
Após alguma luta de forma a acomodar tudo e todos, lá seguimos viagem em direcção a Albufeira. Os outros De Merdas iriam lá ter, nomeadamente Nuno Medeiros e Francisco Petiz. Nuno Medeiros encontrava-se em casa de um De Merdiano (não confundir com um De Merda). Seu nome: Daniel Macedo, estudante de Medicina, que partilha a sua vida entre Porto e Lisboa, muito embora não faça nada de relevante nessas duas cidades.
Problema nº2: Após breves minutos na auto-estrada, os 4 De Merda (Fox, Diogo, Zé Manel e Rodrigo) que iam no Turtle-Jah-Car aperceberam-se de que nunca se iriam ver a viagem toda, a não ser que parassem numa estação de serviço. Conversaram bastante, é certo; ouviram bastante música, é certo; cantaram muitos "hits", é certo. Mas a verdade é que, dentro do carro, nunca se viram uns aos outros. A viagem foi feita em conjunto, de facto, mas foi uma viagem solitária para todos. Motivo: as pranchas e as trouxas do Zé Manel impediam que alguém se visse. Rodrigo apenas conseguia ver para a frente, visto que o espelho retrovisor estava totalmente tapado. Ao seu lado ia Fox (supõe Rodrigo...), mas a verdade é que só se viram na altura de meter gasolina numa estação de serviço. As pranchas mal davam para que se metesse uma mudança, pelo que a opção foi ir sempre em 5ª até Albufeira. De resto, as pranchas serviram para tabuleiro, onde se iam colocando as bolachas, folhadinhos e pãezinhos de José Manuel Amorim.
Problema nº 3: paragem para por gasolina. A bomba estava a demorar a bombear... era a gotinhas. Rodrigo, farto daquilo, decide dar a mangueira (evitem as bocas) a Fox. Fox começa a meter a gasolina até que, por avaria da mangueira (evitem as bocas, mais uma vez), não dispara a pistola a indicar que o depósito está cheio. Resultado: gasolina a jorrar pelo HRV, depósito cheio até cima e a impedir uma viagem em condições de segurança. Solução: pegar em papéis e começar a retirar gasolina do depósito.
Momento nº1: quem já viu o filme Almost Famous (com a interessante Kate Hudson) sabe do que estou a falar. Quem não sabe passe à frente. Íamos nós numa bela auto-estrada de Portugal, já depois de virarmos no tal nó que nos leva pelo Ribatejo, quando surge o grande som de Elton John "Tiny Dancer"... "blue jean baby, LA lady" após os primeiros versos, já os De Merda estão rendidos...qual autocarro dos Stillwater rumo a mais um concerto da digressão...
Os De Merda cantam em uníssono, os De Merda não se vêm uns aos outros, mas sabem que estão a partilhar um momento único das suas vidas. A alegria apodera-se de todos e de cada um, surgem as percussões sobre as pranchas...aquele pequeno arrepio perpassa-lhes pela espinha... e os De Merda sentem que, à sua frente, está um Verão memorável.
Entretanto, começam as conversas via telefone com Nuno Medeiros e Daniel Macedo (para uns Dáni, para outros Dâni, para outros Daniel Papel). Petiz em princípio já estava com eles.
Turtle: então, já saíram?
Capitão e Dâni: ainda não, calma, vão indo... quando chegarem lá façam as compras, nós vamos dar um mergulho à praia, depois façam o jantar e nós vamos lá ter.
Turtle: o quê? estão a gozar?
Capitão e Dâni: oh, vá lá, não vos custa nada!
Muito bem, assim se vêm os amigos.
Problema nº 4: encontrar Mourinho. Mourinho, esse grande ser humano português, tinha ido de comboio. Iria sair na estação de Albufeira. Chegados ao Algarve... OK, vamos lá buscá-lo fácil, pensavam os 4 De Merda. Ora bem... apenas se diga que Mourinho nos fez perder cerca de 1h atrás da mítica estação de Albufeira, que se encontra numa povoação estranha qualquer, isolada de qualquer indicação que nos leve lá, a não ser uma seta a dizer "ESTAÇÃO" a cerca de 10 metros da efectiva estação. Assim se vê a importância que as autoridades nacionais dão à rede ferroviária nacional.
Frase nº 1: surge aqui a primeira grande frase das férias, by Jocri Amorim. Após uma hora atrás da estação onde Mourinho havia chegado e após avistarmos esse ser humano, sentado na sua mala a emborcar a 1ª mini das férias, após termos conseguido introduzir esse ser humano dentro do carro mais a sua mala (proeza que até hoje ninguém sabe como conseguiu ser realizada, atendendo às trouxas de Zé Manel, que ocupavam todo e qualquer espaço livre no Turtle)...surge Mourinho, esse grande ser humano com um GPS, que prometia salvar-nos de qualquer problema para chegar ao Choro-Mar.
Conversa puxa conversa com Nuno, Dani e Petiz sobre como lá chegar, dizer que estávamos com GPS, que não dava jeito irmos às compras, que vínhamos do Porto, que tínhamos ido buscar o Mourinho que estava perdido nos confins da zona metropolitana de Albufeira, que os que vinham de Lisboa (viagem mais curta) é que deviam claramente ir às compras, etc, etc, etc... surge Jocri, com o seu vernáculo habitual:
"Nós não somos homens de GPS's, somos homens de mapas"
O bom senso falou mais alto e Nuno, Dani e Petiz foram às compras, enquanto que os hérois do Turtle trataram de se acomodar no Choro-Mar, após uma breve conversa com os recepcionistas dos Apartamentos e após o bonito encontro com os três mandriões do Opel branco de Nuno Medeiros. Família reunida, família feliz! Os De Merda plus 1 De Merdiano estavam finalmente juntos, de férias.
Houve quem ainda fosse à praia para um mergulho, mas Rodrigo, por exemplo, optou pela sensatez. Tendo feito uma árdua viagem, sempre a conduzir, e com uma hora de sono na bagagem, foi a altura de retemperar e recuperar forças, dormindo uma bela soneca no Apartamento 408 (QUATROCENTOS E OITOOOOO, QUATROCENTOS E OIIIITOOOO, QUATROCENTOS E OITOOOO).
Perguntam vocês, caros leitores, o porquê deste caps lock.
Nada mais simples, caro leitor.
Na altura de distribuir as pessoas pelos apartamentos, o azeite juntou-se ao azeite e a água, pura e cristalina, juntou-se à água pura e cristalina.
O mesmo é dizer que:
- Nuno, Fox, Petiz e Dani ficaram no Ap. 410;
- Diogo, Zé Manel, Mourinho e Rodrigo ficaram no Ap. 408.
Seria óbvio que a rivalidade começasse a aparecer e se sentissem as primeiras divisões nas fundições de cimento que uniram os De Merda. Mas a verdade é que as raízes eram frágeis... e as divisões começaram a surgir devido às diferenças gigantescas entre estes dois grupos.
No 410 proliferava a má educação, o insulto fácil, a conversa brejeira, a estupidez, a piada fácil e jocosa, a inutilidade, a futilidade, o nojo, a sujidade.
No 408, pelo contrário, derramava-se classe, estilo e status-quo. O nível de educação era claramente diferente, falava-se bem, falava-se caro, falava-se bonito... Manuel Machado e o seu manuel-machadês sairiam envergonhados do 408. O verbo do 408 corria solto e feliz, como a bola nos pés de Diego Armando Maradona. A palavra, a frase, a gramática, a construção gramático-lexical tinha encontrando, finalmente, um aconchego feliz, um lar onde viver e pernoitar. O dicionário de Língua Portuguesa tinha encontrado vida no Apartamento 408. As suas folhas começaram a abrir-se e as suas palavras mais bonitas e mais raras voltaram a ser usadas.
A política teve lugar no 408.
A filosofia teve lugar no 408.
A metafísica teve lugar no 408.
De tudo um pouco se falou e garanto-vos que no 408 foram dadas receitas para um Mundo melhor.
Claro que o 408, inovador e sempre na vanguarda de tudo o resto, saiu vencedor em largos aspectos.
Para começar, os nossos insultos não se ficavam pelo insulto fácil que vinha do 410. As asneiras e palavrões foram substituídas por outro tipo de enxovalho, que facilmente derrotou o 410.
Míticos e memoráveis foram aqueles telefonemas para Nuno Medeiros e afins:
408: então, Nuno estás bom?
410: tá tudo, tamos a partir tudo... eheheh. jogar playstation e PES é tão fixe nas férias... ehe, venham para cá beber minis e jogar PES, ehehehehhe... fazemos um torneio, é tão fixe PES no Algarve... toma banho rápido, Rodrigo, eheheh
409: ok, já vamos. Olha, Nuno, preciso de te contar uma cena...
410: sim, diz, o que se passa?
PI-PI-PI-PI-PI-PI-PI-PI-PI
409: Dani, ouve este som, estas a ouvir?
410: sim, mete lá!!
PI-PI-PI-PI-PI-PI-PI-PI-PI
A imitação (recorde-se que o 408 era a locomotiva que fazia andar as férias dos De Merda, enquanto que o 410 era uma mera carruagem a ser puxada pela locomotiva) barata não demorou muito a surgir, embora pecasse pela falta de classe:
410: olha, Rodrigo, estamos aqui em casa e olha aconteceu uma cois....
PI-PI-PI-PI-PI-PI-PI-PI-PI
(hummm.... desligar assim sem mais nem menos, enquanto se está a falar e nem se acabou de dizer a frase toda... hmmm..???. cheira-me a estupidez, mas enfim)
A primeira jantarada decorreu em animado ambiente de folia e diversão. Fox foi a estrela da noite, quer pelo que dançou, pelos seus óculos ray-ban-style, quer pelo enxovalho que levou (do seu amigo Rodrigo) no brinde, nomeadamente quando foi dito alto e bom som, para quem quis ouvir, o seguinte:
Frase nº 2:
"o Fox só está aqui porque o Edgar não pôde vir"
A primeira noite aconteceu na Oura, mais precisamente no KISS-CLUB. Entre polacas, bailarinas brasileiras, shots de vodka e frases do speaker de serviço do estilo "uauuu... beautiful girls, that's what I like.... onde estão as mulheres do Norte?? Uhhh... beautiful girls, let's dance, come on".... surge a pergunta da noite: ONDE ESTÁ O ZÉ?
Dani decifra essa equação e encontra Zé Manel nos jardins (ou canteiros...) do KISS-CLUB, já cá fora...deitado estilo cão à espera que lhe façam festas, de olhos fechados, com a sua bolsinha característica e a dizer, após a pergunta normal de Dani "o que estás aqui a fazer, meu?"
Frase nº3:
"Xiuuu... cala-te, estava a curtir largo"
Seguiu-se uma ida para casa (leia-se Choro - ainda Choro... - Mar) bastante complicada, em virtude dos inúmeros "números" da dupla Gogas-Petiz, que não se cansava de fazer idiotices com um cartaz e uma cadeira nas mãos. Momentos bonitos dessa dupla. Se eles se entendessem tão bem numa quadra de futsal como se entendem nas suas facetas de comediantes ou stand-up-comediers, os De Merda estavam... feitos!
Dia seguinte: praia na praia do Le Club, antiga Locomia (esqueci-me do nome da praia). Quase não se tocou na bola, mas enfim, foi um belo dia de praia, com belos e belos momentos esticados na toalha a apanhar sol. Este seria o único dia de praia que se fez sem ser na praia do Sheraton, onde sempre fomos brindados com garrafas de água e outros líquidos por Mariana, irmã de Fox. "Ainda bem que o Edgar não veio... se não não nos arranjavam estas águas para nos hidratarmos na praia", foi aquilo que os De Merda e o tal De Merdiano pensaram nesses belos dia de dolce fare niente.
NOITE foi coisa que não faltou nos De Merda. Desde idas ao mítico Faces até noites inicialmente calmas mas depois bombásticas no T-Club... passando pelo já histórico Kiss-Club.
No Faces, além de termos tido a grande companhia de Zé Pikaché (bem haja a esse grande senhor, hoje em dia exilado em Turim), que jogou e fez jogar, assistimos a belos episódios:
PROBLEMA Nº 5 - Rodrigo pede o telemóvel emprestado a Nuno. Decide escrever no telemóvel "olá. estou apaixonado. dá-me um beijo já (se não me deres fico chateado contigo)". Umas miúdas ignoravam, outras riam-se, outras metiam conversa. Após ter ficado a falar com uma menina, alguém dá um encontrão a Rodrigo (na sequência de uma porrada existente na pista de dança), o telemóvel de Nuno cai ao chão. Daniel Macedo ajuda a encontrar o telemóvel e entrega-o a Rodrigo. Diga-se que tinha estado em pleno chão do Faces (escusado será referir aqui o que é que estava no chão do Faces...). Passado 10 minutos aparece Nuno e pede o telemóvel a Rodrigo. Rodrigo entrega-lhe o seu mais que tudo.
Nuno: estás a gozar?!
Rodrigo: não, porquê?
Nuno: onde está a bateria e a capa de trás?
Rodrigo: não sei...
Nuno: caiu ao chão?
Rodrigo: hmmm.... não, não.
De repente, Mourinho pisa algo no chão do Faces. Olha para baixo e retira da sua sola a capa do telemóvel do Nuno. Logo a seguir, Nuno encontra a sua bateria a ser pontapeada ao som do ritmo da música que brotava das colunas da discoteca. Estava tudo resolvido. O "mais que tudo" do Nuno, o seu DUAL, tinha finalmente a sua bateria e a sua capa colocadas.
PROBLEMA Nº 6 - sair do Faces. Normalmente sai-se de uma discoteca apresentando o cartão de consumo, pagando-o, sendo ele carimbado e entregue, por fim, por nós mesmos, ao porteiro. No caso de Daniel Macedo e Diogo Almeida, as coisas não são bem assim. A saída envolve cortes nas mãos, saltos karatecas, escapadelas aos seguranças de serviço e com muita adrenalina à mistura. E foi assim que Dani e Gogas saíram do Faces: sem pagar, pulando a cerca, como se costuma dizer. Já os seus amigos, pessoas de carácter e de nível, pagaram tudo o que consumiram. E ainda foram presenteados com a mensagem: "Já saímos, demos o golpe".
Mas voltemos ao Choro-Mar, "o centro da nossa vida social, familiar e económica, o local onde dormem, recebem os amigos e fazem as suas refrições" , de acordo com o conceito jurídico lançado pelo advogado-estagiário do grupo.
O Chora-Mar viveu momentos grandiosos da história dos De Merda. Um deles foi após uma bela noite no T-Club.
Sim... os De Merda deslocaram-se ao T, importante ponto da movida algarvia na temporada dos veraneantes.
Ao princípio ia ser uma noite fraquita. Discoteca vazia, pouca animação... nada daquilo prometia uma noite de encher o olho.
Mas aí surgiu o génio de dois homens: Rodrigo e Nuno. Se a alegria não vem até nós, vamos nós de encontro à alegria. E ela surgiu com uma rodade de shots pagos por estes dois homens a toda a equipa. E assim, com este simples acto, Nuno e Rodrigo ganharam o respeito e a confiança do grupo para o resto das férias. Assim se constrói um balneário unido e consistente.
A vinda do T envolve momentos que a mim, pessoalmente, custa-me recordar.
Devido a problemas que não importa aqui enunciar, decidi, sem pressões externas, entregar as chaves do meu bólide a Mourinho. E decidi também, sem pressões externas, entrar no carro de Nuno Medeiros.
Mas a verdade é que, até chegarmos ao Choro (ainda Choro) Mar, vivi momentos de horror. Mourinho, demonstrando um total respeito pela pessoa que lhe confiou as chaves do seu automóvel, decide deixar que os passageiros que nele seguiam fizessem tudo o que lhes apetecesse. E aí surgiu o Butterfly Turtle. Dani Macedo decide ter a bonita ideia de abrir e fechar as portas do meu automóvel, isto a grande velocidade pelas estradas nacionais algarvias. Enfim...
TOTAL FALTA DE RESPEITO PELA MINHA PESSOA
A chegada ao Choro (já quase não Choro) Mar foi apoteótica. Berros e mais berros, alegria contagiante e a ideia, algo descabida mas logo executada, de Nuno Medeiros: vestir os calções e ir para a piscina. Houve quem aderisse rápido à ideia do Capitão, claro. Há idiotas para tudo. Se houve gente que seguiu Adolf Hitler, porque é que não há gente capaz de seguir Nuno Medeiros?
Os mais sensatos, cá em cima, decidem deliciar-se com um pão de alho do Lidl. Categoria... um verdadeiro prazer da vida àquela hora na forma de um pão com alho. Até que alguém, vendo os idiotas lá em baixo, decide gozar com a cara deles e com a fome deles.
E, assim, toca de atirar pão de alho lá para baixo. Lá em baixo, quais baratas tontas, Nuno Medeiros e Diogo Almeida degladiavam-se, quais galinhas tontas, por meros pedaços de pão de alho, que iam pingando do Ap. 410 para os arbustos e para o chão da piscina. Nuno Medeiros, qual vampiro esfomeado, comia tudo o que caía.
E aí surge mais uma frase, by Rodrigo:
"Estamos no CHOURA-MAR"
E pronto, a partir daí morreu o Choro-Mar e nasceu um bebé que precisava de ser acariciado: o bebé Choura-Mar!
Gostaria agora de fazer uma chamada especial para a presença de José Pikaché no seio do grupo. Outro de Merdiano que entrava para as férias De Merda. E que presença teve este senhor. Que classe, que nível, que maturidade, que savoir-faire! Um autêntico senhor na forma de abordar os elementos do sexo feminino. E em várias línguas:
- ora abordou portuguesinhas no Faces, sempre com inegável sucesso;
- ora manteve conversas longas com espanholas no mítico Katedral;
- ora soltava o elegante piropo para uma vizinha inglesa, logo pela manhã: "hey... I wanna lick your pussy" (leia-se pâssy).
Quem não se recorda também da faceta querida deste rapaz, quando foi comprar doces regionais algarvios para "as meninas", meninas essas que já tinham desaparecido?! Estamos na presença de um home multi-facetado, sem dúvida.
Um grande abraço a esse senhor Pikaché, que deve andar, por estas horas, a fazer largo furor em terras transalpinas, mais precisamente em Turim, onde também está o Sr. Luís Maia. Um bem haja para eles. E, já agora, também um abraço amigo para Daniel Macedo, que deverá estar a fazer o mesmo na bela cidade do Rio de Janeiro, acompanhado de Miguel Frias e Willian Schmitt. Dizem as más línguas que Dani se mitrou no apartamento deles e que vai ficar a viver 3 meses em plena sala. Boa, Dani! É isso! Sempre a mitrar-se.
Aliás, convém recordar a saída de alguns De Merda de uma noite no FACES. A noite em que o grupo se separou. Uns foram com elementos do sexo feminino para algum lado, enquanto que outros foram de carro para casa. Mas antes, decidiram parar em vários carrinhos de bebé, meteram moeda e toca de se porem todos em cima do brinquedo. Momentos inimagináveis, momentos apoteóticos vividos naquela madrugada.
Era ver o segurança da Marina a implorar para que não o chateassem, que estava a fazer o trabalho dele. Mas os De Merda já não eram pessoas naqueles instantes, eram diabos em forma humana, preparados para aterrorizar tudo e todos.
Até que Fox descobre um inimaginável carrinho de gelados. E toca de ir para lá.
Depois segue-se o momento Nuno VS cats. Numa de dar estilo mauzão e prozão, Nuno vê uma caixa no chão e pumba, decide pontapeá-la estilo Roberto Carlos. Mas a caixa não estava vazia, era um abrigo de gatos. Foi a altura de ver Nuno em posições algo larilas, enquanto que o gato lá saiu a correr assustado. Mauzão e prozão... LOL
Depois, à entrada para o carro, Rodrigo entrega as chaves a Zé Manel.
E aí Zé Manel inica o BÁMOS! O BÁMOS EQUIPA, farse mítica que ficará para sempre marcada nos De Merda e que, inclusivamente, já circula por toda a cidade do Porto, embora tenha, obviamente, direitos de autor.
BÁMOS!
Mas antes ainda tempo para outra frase, após umas miúdas que estava na varanda da rua onde se encontrava o carro, estarem com problemas em encontrar uma bateria que supostamente teria caído no passeio. E quando uma delas diz "ai... estou cega do meu olho direito", responde Rodrigo, alto e bom som, para quem quis ouvir:
"Olha, filha, antes cega do olho direito que cega do olho do cu"
Classe e elegância acima de tudo o resto nos De Merda, como se constata.
Mas voltando ao Choura-Mar. Local de intermináveis duelos de PES entre os viciados do costume: Nuno Medeiros, Francisco Petiz, etc. Basicamente os toninhos do grupo que mal viam uma televisão, uma consola e dois comandos começavam logo a engendrar tácticas para ganhar a parceiro de jogo. Enfim... uma pessoa vem de férias para jogar PES, é mesmo esse o objectivo!
E que dizer da sagrada hora das refeições no Choura-Mar? Nuno Medeiros e Fox foram os artistas da cozinha, diga-se. Merecem esse aplauso. E como se comeu bem no Ap. 410!! Ora era massa, ora era massa... e também... massa! Ou arroz, para variar um pouco. Mas a verdade é que a hora de jantar era um belo momento de confraternização dos De Merda (e dos dois de Merdianos, don't forget them!).
Pena que houvesse gente que, mal metia a última garfada na boca, já estava a ligar a consola para jogar PES.
Pena também que, e aqui surge a nova frase mítica, houvesse pessoas que, apesar de estarem presentes fisicamente, não o estivessem mentalmente. Ou seja, estavam com ca cabeça bem distante, bem longe dali.
Daí que...
"É pena é o Zé Manel não ter vindo de férias"
Mas no geral, as minis circulavam a bom ritmo, o ambiente era descontraído, havia boa música e os De Merda eram felizes. Vivia-se um ambiente familiar... e, como já dizia Jim Morrison:
I will not go
Prefer a Feast of Friends
To the Giant Family.
A sintonia começou, então, a apoderar-se dos De Merda. Já não custava tanto acordar às 13h para ir para a praia. As coisas já saíam natural e mecanicamente, tal como dentro da quadra de futsal. Uma equipa, na verdadeira acepção da palavra.
Claro que chegar ao Barranco das Belharucas com 4 horas de sono era complicado. Ainda para mais com a desidatração que grassava nas bocas De Merda.
E aqui a ajuda de Mariana Raposo foi fenomenal, distribuindo águas por todos.
E que dizer da praia em si?
Pouco futebol se jogou, diga-se, tal era o cansaço acumulado e a necessidade de recarregar baterias para o que era verdadeiramente importante: a noite.
Aliás, convém não esquecer os belos momentos vividos entre Diogo Almeida, Zé Manel e Rodrigo à saída da praia. Tostadinhos do sol algarvio, após uma boa sande no bar da praia, lá iam eles para o turtle. Rodrigo ao volante da máquina, Zé como DJ e Diogo como ajudante, lá atrás. O som era o ideal para estes soalheiros fins de tarde... fins de tarde esses que preparavam uma mítica noite. Já nos imaginávamos a jantar no Ap. 410, a beber umas minis e a prepararmo-nos para mais uma noite de arromba.
E então, qual a solução? Ir bem devagarinho da praia para casa, óculos de sol nas faces (não confundir com a discoteca Faces), pele morena... ouvindo AIR - Moon Safari. Paragem na bomba de gasolina - sempre com AIR a divagar/pairar pelos nossos ouvidos - e pedir um belo de um UCAL geladinho. Momento baptizado como UCAL AIR. Bem haja e saudades a esses momentos apenas vividos por três sortudos De Merda, por acaso (será mesmo por acaso?) inquilinos do Ap. 408.
Ainda assim convém recordar - falando em praia - o momento em que o capitão Nuno Medeiros foi humilhado pelo seu companheiro da posição pivot Rodrigo de Almada Martins. Junto à linha lateral imaginária, Rodrigo encosta-se a Nuno e, num gesto técnico que envolve tocar a bola de calcanhar por trás do corpo, Rodrigo fá-la passar por entre as desprotegidas pernas de Nuno, originando aquilo a que se chama de "cueca", "coxa" ou, na linguagem do nosso país irmão, de "caneta". Ou até, em terras de Sua Majestada, "under legs". Momento bonito, esse, arrancando ovações do público presente.
Se pouco futebol foi jogado, diga-se que houve muitos concursos de "tricks" , sendo que até houve um momento em que um holandês, de classe arrebatadora nos pés, se juntou a nós. Os De Merda neste aspecto davam pontos na praia e ganhavam a admiração das fans. Não esquecer, claro, episódio Nuno Medeiros VS meninas russas da praia!
Claro que Daniel Macedo, o canhoto romântico-tosco, assim apelidado devido ao seu estilo algo desengonçado de jogo e de pegar na redondinha, apesar de mostrar bom domínio de bola, era incapaz de esconder a sua falta de estilo, de classe, de leveza, de elegância no momento de tratar a bola por tu. A bola nos pés de Dani não corre solta e feliz... antes chora e grita por sair dali rapidamente. Dani não trata a bola por tu, mas sim por você. Essa é a realidade, assumamo-la!
E conversas na praia? De que falavam os De Merda nas suas horas intermináveis sob o sol do sul do país?
De tudo e de nada. Do básico. Do mesmo de sempre.
Mas uma conversa se destacou.
A conversa sobre a hsitória futebolística, onde Rodrigo e Dani marcaram pontos e deram cartas.
Falou-se de grandes nomes do futebol português, mas cedo se passou para o belo Mundial de 94.
Foi relembrada a grande Holanda dos então jovens Davids, Seedorf, De Boer e encabeçada pelo grande Dennis Bergkamp.
Falou-se da Suécia de Ravelli, Schwarz, Dhalin, Brolin, Kenneth Anderson e do rastafari Henrik Larsson.
E que dizer da grande Bulgária de Emil Kostadinov, Krasimir Balakov e do endiabrado Hristo Stoichkov?
E daquela mítica Nigéria de Peter Rufai (então dirigido no Farense por Paco Fortes), George Finidi, Sunday Oliseh, Jay-Jay Okocha, Taribo West e do sadino Rashid Yekini?
Lembrou-se o Brasil campeão mundial e da sua dupla que encantou vários meninos por esse mundo fora, seus nomes: Romário e Bebeto.
Saudou-se a Itália derrotada de Maldini e Roberto Baggio.
Fez-se uma vénia aos Camarões, comandados pelo mítico e místico Roger Milla, autêntico Farka Touré/Fela do futebol africano.
Mas o auge surgiu pouco depois.
Começou lentamente com a descrição do grande Boavista (Manuel José ao leme da nau) de Alfredo, Paulo Sousa, Tavares, Nogueira, Rui Bento, Casaca, Caetano, Nelo, Erwin Sanchez, Ricky, Artur e do, last but not the least, Marlon Brandão.
Mas o verdadeiro momento apoteótico surge com a Juventus dos anos 90. Iniciamos a subida da montanha ao referir os nomes de Antonio Conte, Tachinnardi, Ciro Ferrara, Angelo Di Livio, Paulo Sousa... até chegarmos à linha avançada... e aqui escalamos a montanha já perto do seu cume...frente de ataque da vecchia signora com o 10 Gianfranco Zola, o "cabelos brancos" Fabrizio Ravanelli, o "carequinha" Gianluca Vialli e... e agora, sim, espetamos a bandeira dos De Merda no cume da montanha: apoiados por um miúdo que então estava a aparecer de nome ALESSANDRO DEL PIERO !!!
Claro que esta conversa não ficou orfã e teve seguimento nos dias seguintes, nomeadamente nos momentos de verdadeira comunhão de alegria De Merda. Esta conversa não saiu ímpune na história dos De Merda. Teve continuação.
A verdade é que foram coladas alcunhas que dificilmente deixarão de ficar gravadas a ferro e fogo na pele de todos os De Merda.
Assim sendo, após estas férias, surgiram os seguintes nomes:
- Hugo "Fox" Raposo - Júlio Fox (em homenagem a...)
- Agostinho "Ya Cordeiro - Ibrahim Ya (em homenagem a Ibrahim Ba)
- José Manuel "Jocri" Amorim - Fabrizio Zé Manelli (em homenagem a Fabrizio Ravanelli)
- Diogo "Gogas" Almeida - Ciro Gogaz (em homenagem a Ciro Ferrara)
- Nuno "Maioral" Medeiros - Rashid Yiekinuno (em homenagem a Rashid Yekini)
- Mourinho - Alessandro del Mouri/Chouri (em homenagem a Alessandro del Piero)
- Rodrigo de Almada "Rodaz" Martins - Emannuel Rodribayor (em homenagem a Emannuel Adebayor)
- Francisco Petiz - Petitbery (em homenagem a Frank Ribery)
- Edgar - Edgaras (em homenagem a Edgaras Jankauskas)
Foram nomes que foram surgindo, em conversa ou alguns mesmo ao acordar, após longa reflexão. Mas são nomes que certamente irão perdurar no imaginário De Merda. Sem dúvida.
Falemos agora de outro assunto polémico no seio da nossa equipa: dinheiro.
E dinheiro nos De Merda equivale a falar em dívidas.
Todos a dever a todos. Uns mais que outros.
Eu, por exemplo, paguei 120 € de uma coisa que não me deu jeito nenhum.
Zé Manel (ou Fabrizio, conforme os gostos) apontava todos os gastos e dívidias no seu moleskine. Bem jeito fez! Finalmente recebi os 20 € do Torneio do Torrinha que eu tinha pago a alguém. Já Fox (ou Júlio, fica ao critério do leitor), nestes aspecto, é um verdadeiro coitado. Pagou o Torneio do Torrinha e teve uma brilhante estatística relativamente aos minutos jogados: 0.
E daí veio a sua mítica frase:
"Claro que depois de eu ter pago o torneio do Torrinha e não ter feito qualquer jogo, a consequência lógica disto tudo é que gozem com a minha cara"
Nada mais certo, meu bom e velho Júlio Fox, nada mais certo..!
As férias decorreram sempre em grande ritmo.
E sempre em grande estilo.
Por falar em estilo... nota para os headphones categóricos de Diogo Almeida e para o estilo de Nuno quando vestia os seus calções. Porque há pessoas que têm pinta para isso, vulgo Zé Manel. Há pessoas sem pinta para isso, vulgo Rodrigo e Nuno. Rodrigo aceita isso, interioriza e o que é que faz? Usa calças. E o que faz Nuno? Usa calções.
As férias aproximavam-se do fim.
Mas antes mais uma noite, a última noite das férias DE MERDA.
Esta noite será aqui descrita como...
A NOITE
Após uma bela refeição arranjada à pressão já a noite ia longa (e costumam ser essas as melhores refeições...) bem perto do Choura-Mar (um restaurante de bairro muito simpático, gerido por um nortenho, que nos recebeu muitíssimo bem), importava decidir o local de saída. Após alguma discussão, lançou-se a ideia do Sasha. Só faltava ir a essa, realmente. Vamos, então. Fomos todos, excepto Dani Macedo, que ficou devido a ter um pouco de febre a algumas dores de cabeça, mas depois esmiuçaremos melhor essa hsitória. Ao lá chegarmos ainda houve tempo de cantarmos os parabéns aos "pombinhos" Zé Manel e Rachel, por mais um ano de namoro.
Claro que os De Merda, lentos como são, apenas chegaram ao Sasha por volta das 4h da manhã. O resto não é difícil de imaginar. 9 gajos à espera de entrar às 4h da matina no Sasha... hummm... a qualquer pessoa pareceria uma ideia ridícula e impraticável.
Mas não para os De Merda, que não desistem à primeira contrariedade.
E aí foram eles... e com a garra que caracteriza os verdadeiros campeões... não, esqueçam. Seria bonito dizer aqui que os De Merda num golpe de classe e de magia, tinham conseguido entrar na discoteca mais falada do verão.
Não, não conseguiram. Ficaram à porta.
E aqui surge o momento de viragem da noite, o momento em que, se isto fosse um filme estilo "Cidade de Deus", a imagem pararia e apareceria em baixo a seguinte inscrição:
O MOMENTO QUE ALTEROU TUDO
Ficando à porta, os De Merda, após falarem com o porteiro, decidem ir para a KATEDRAL. Fixem bem este nome. KATEDRAL.
À entrada (não sem antes Pikaché derrubar um carrinho de reboques para bebés), o primeiro episódio surreal. Dois prozões chegam junto do segurança e dizem que estão com as meninas que entraram antes. O segurança pergunta-lhe isto na cara: "estás a gozar comigo, oh palhaço?"
Os De Merda vêm a situação e apercebem-se que um soco vai sair dentro de momentos.
Mas não. Os prozões saem e é a vez dos De Merda entrarem.
Lá dentro... é difícil explicar o ambiente do KATEDRAL. Uma mistura de La Movida, polvilhada com traços de discoteca de aldeia, com ambiente digno de Via Rápida á 6ª feira poderá ajudar a explicar aquilo com que nos deparamos. Basta dizer que vimos idiotas a dançar descalços na areia que estava no chão da discoteca... e que havia cigarros por apagar no chão. Mas enfim... adiante. O chinelismo militante grassava naquela discoteca, é um facto.
Mas de repente, os De Merda vêm um grupo de meninas bem diferente da corja que por lá andava. Após algumas prospecções denotamos que eram espanholas. Bem simpáticas, por sinal e prontas para fazer a festa. Vestidas de indíos e cowboys, tudo indiciava ser uma despedida de solteira. Assim o era, de facto.
Mas façamos um rewind.
Rodrigo está farto do fumo e vai para a zona ao ar livre. Senta-se e fica a descansar.
Nisto aparece Alessandro del Chouri, que se senta ao seu lado.
Rodribayor - Tudo bem Mourinho?
del Chouri - Está tudo. Sabes o que me apetecia Rodri?
Rodribayor - Não, Mouri. O quê?
del Chouri - Uma puta.
Rodribayor - Para quê? Para a foderes?
del Chouri - Não, bastava-me um broche.
Depois começou a saga espanhola. Pikaché controlava todas, falando o seu fluente castelhano.
Os outros De Merda assistiam ao "show Jocri".
Fabrizio, junto a uma cinquentona ensaiava movimentos dignos de uma qualquer pista de dança nova-iorquina.
Mais tarde, diz-se que terá dito, à saída da KATEDRAL seguinte:
"Já não me lembrava de controlar uma pista de dança assim há muito tempo. Fui o rei da noite!"
E foste, José Manuel. Sem dúvida. Os teus movimentos eram autênticas faíscas, autênticas chamas que lançavas para a pista de dança. Todos seguiam os teus passos, todos estavam concentrados em ti. Tu foste o rei da noite.
Depois de alguma conversa com a "Armada Invencível" de nuestras hermanas, surgiu a peregrina ideia de, quando saíssemos, irmos todos em roupa interior descer as escadas junto à KATEDRAL e irmos mergulhar no mar da Praia da Rocha. Homens de boxers, mulheres de cuecas (tanga, espeávamos) e soutien. Nada mais simples.
No entanto, algo neste processo correu mal. Muito mal, aliás. Não vamos citar nomes, refira-se!
Primeiro que tudo a noiva, figura importantíssima nesta história, estava munida com uns grandes tacões. Mal começou a descer as íngremes escadas... malha e cai de canelas na superfície granítica. Resultado: muito choro e duas feridas com mau aspecto nas duas canelas. Casar assim não deve ser bonito, não.
Consequência: a noiva não podia continuar a noitada. As amigas, por solidariedade feminina, decidem também abandonar o look fiesta e seguir para o hotel.
Qualquer ser humano sensato e normal quebraria ali os seus intentos de ir para a praia dar um mergulho, visto ainda se ter que andar metros e metros de areal, sob um sol abrasador. E, ainda para mais, não esquecendo que às 11h teríamos que deixar os apartamentos. Seriam quê? 8 da manhã, por aí...
Mas há três seres humanos que decidem ir em busca desse sonho de mergulhar na Praia da Rocha. Contra todas as vozes que clamavam que não fossem, eles foram. E os seus amigos viram-nos a entrarem na praia e a arrastarem-se até à linha do horizonte, até que foi impossível vê-los mais, tal era a distância.
Um deles dizia:
"elas não virem não tem nada a ver... momento apoteótico de acabar as férias De Merda será mergulharmos todos no mar... BÁMOS"
O mesmo elemento, após ser intimado via sms a regressar à entrada da KATEDRAL para seguirmso para o Choura-Mar, responde assim:
"Sem mergulho no mar, não há Choura-Mar"
Os sensatos, não importa identificar nomes, nãoo tiveram outra solução do que ir tomar o pequeno-almoço, onde tiveram uma surreal conversa com uma menina oriunda de Lisboa.
O pequeno-almoço foi tomado... e dos três jovens que decidiram ir ao mar... NADA.
Telefonemas e mensagens e nada...
Surge a frase:
"Mourinho é barro que se molda às vontades e aos desígnios de José Manuel Amorim. Mourinho é plasticina nas mãos de Zé Manel"
(Ah, e tal, vassalo eu nunca fui)
As horas passavam e nada. Ponha-se o leitor na nossa posição. Ainda havia uma viagem de cerca de 20m até casa na Via do Infante. Cansados. Com olheiras. Ressacados. Com horas para sair dos apartamentos. E eram 10h e nada.
Até que um elemento decide empreender a hercúlea tarefa de retirar os homens da praia. Esses homens não chegaram a terminar as férias de forma apoteótica, porque não houve mergulho nenhum. Apenas se deitaram e adormeceram, um deles com areia na boca. A humilhação total.
Outro deles, após o olhar reprovador de uma família, limitou-se a dizer:
"Tás a olhar para onde, oh paspalho?"
Elegância, serenidade e tranquilidade acima de tudo.
Os que não tinham ido à praia buscar os três elementos adormecidos decidem ir buscar os carros. O turtle já estava na posse de um deles. Faltava o branquelas. Pegamos no turtle e fomos levar alguém para pegar no branquelas. Chegamos lá e, ainda no sentido contrário da estrada, olhamos para o carro. No vidro do condutor, bem visível, estava um autocolante com o seguinte dito:
BLOQUEADO
BÁMOS EQUIPA! Se uma coisa pode correr mal, ela corre mal de certeza! É esta a lei de Murphy. Mais uma contrariedade para os De Merda. E aí foram os De Merda para a burocracia das esquadras portuguesas. Só passado cerca de 45 minutos é que o bloqueador foi retirado, após o pagamento de uma choruda multa.
Depois, foi a vez de pegar nos "três homens da praia", colocá-los nos carros, limpar-lhes a boca anormalmente cheia de areia e seguir para casa, numa Via do Infante que parecia mais longa do que o normal. Refira-se, aliás, que estivemos cerca de 20 minutos perdidos em Portimão sem conseguir entrar na auto-estrada. E eram quase 11h. À entrada de Albufeira... mais trânsito. Impossível chegar a horas aos apartamentos... Lá chegados, foi a vez de dormir o pouco que conseguimos pois as empregas foram intrsasigentes e quiseram entrar a todo o custo para as arrumações. Nessa altura, foi bonito de ver os De Merda a ingerir, perto do meio-dia, umas sardinhas enlatadas em tomate.
Depois foi o momento do grupo se separar. Dani Macedo, adoentado, seguiu viagem para Lisboa com Zé Pikaché, que ainda não tinha dormido. Mourinho e Zé Manel seguiram com eles. Hugo foi ter com os pais. Rodrigo, Nuno, Diogo e Petiz foram dormir para a praia. Depois, Petiz foi com os pais para a Ilha do Farol, enquanto que Rodrigo, Nuno e Diogo foram para a Arrifana, sendo que Diogo foi "recolhido" pelos seus amigos, indo para o Sudoeste.
E chegavam ao fim as férias De Merda.
Invoco aqui uma frase do meu amigo Daniel Macedo sobre estes dias, fazendo o seu resumo:
"MUITA _______, MUITO _______, ZERO ________"
Verdade incontestável para os De Merda, sem dúvida.
Vivemos dias de folia incríveis. Momentos bonitos. Momentos apoteóticos. E nem a Gripe A foi capaz de suster o ímpeto dos De Merda. Daniel Macedo e Zé Pikaché foram abatidos a tiro pela gripe, já em Lisboa. Os De Merda vacilaram, os De Merda temeram o pior, mas a gripe, pelo menos até agora, não atingiu os De Merda. Outras coisas sim, mas a gripe não. Os Apartamentos, em especial o 410, eram uma antro, um nojo, uma podridão. O estilo de vida foi "miserento" (mistura de miserável com nojento), se assim se pode dizer. Mas nada afectou os De Merda, apenas os de Merdianos. De Merda é de outra raça, de outra estirpe, de outra fibra, de outro quilate. Já dizia o poeta:
Ser De Merda é ser mais forte...
é ser maior do que os homens...
Um bem haja a todos, meus amigos.
VIVA OS DE MERDA!!!
Rodrigo de Almada Martins
(Rodaz)
(Rodribayor)